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Cerca de 800 reeducandos participam de trabalhos, projetos e atividades no CRC

Além de trabalhos extramuros, a unidade desenvolve projetos de marcenaria, corte e costura, horta, blocos de concreto, panificadora, entre outras atividades
Nara Assis | Sesp-MT

Reeducando faz cadeiras com fibra sintética em Centro de Ressocialização de Cuiabá - Foto por: Nara Assis / Sesp-MT
Reeducando faz cadeiras com fibra sintética em Centro de Ressocialização de Cuiabá
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Como o próprio nome sugere, o Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC) mantém cerca de 70% dos reeducandos em alguma ocupação, entre trabalhos intramuros e extramuros, educação, projetos de artesanato e capacitação. Algumas das atividades foram conferidas pelos representantes do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF) do Sistema Penitenciária, durante visita realizada nesta segunda-feira (04.11).

Atualmente, a unidade está com 1.105 recuperandos. São 24 frentes de trabalho interno, desenvolvidas por 347 pessoas; 22 frentes extramuros, nas quais participam 58 reeducandos do regime fechado. Deste total que trabalha, 81 são remunerados. Há sete salas de aula que contam com 250 alunos; além dos que participam de capacitações, que são aproximadamente 100.

Os projetos incluem marcenaria, corte e costura, confecção de cadeiras de fibra sintética, horta, fábrica de blocos de concreto, granja, crochê, panificadora, banda de música, serviços gerais, entre outras atividades. Também é realizado o projeto de leitura “Letras sem Fronteiras”, que consiste na escolha de livros a serem lidos e discutidos em grupo semanalmente. Ele faz parte da Biblioteca do CRC, que registra retirada de em torno de 15 exemplares por dia.

Junto com mais três reeducandos, Francisco* desenvolve artesanato em couro. Cumprindo pena há quase três anos, já passou pela marcenaria e há um ano se dedica a fazer 15 capas de copo para tereré por dia e também capas para garrafa térmica. “A gente não olha só a remição de pena. Também é uma forma de passar o tempo. Ficar 24 horas parado, sem fazer nada, é uma das piores coisas que existem. O trabalho é algo que exige atenção, concentração”.

Aos 50 anos de idade, ele está ansioso para alcançar o direito de trabalhar extramuros, previsto para 2021, e depois conseguir a liberdade condicional, em 2025. Com Ensino Médio completo, o reeducando pensa em cursar faculdade de Psicologia no futuro. “Meu objetivo é progredir, nunca regredir, e ter uma renda para poder recomeçar quando sair”, ressalta.

As aulas ocorrem nos períodos matutino, vespertino e noturno, e contemplam disciplinas dos Ensinos Fundamental e Médio. O diretor do CRC, Winkler de Freitas Teles, afirma que busca parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) para oferecer também curso de nível superior em Matemática. “Costumo falar que são necessárias três coisas para a ressocialização: trabalho, estudo e a fé, para reintegrar e entregar para a sociedade uma pessoa melhor. Só assim é possível reduzir a reincidência no crime”.

Os trabalhos extramuros são realizados em órgãos públicos do Estado, como delegacias, batalhões de polícia, Secretarias, além da Prefeitura de Cuiabá. Segundo o supervisor do GMF, desembargador Orlando Perri, a visita o surpreendeu positivamente. “Evidente que todas as unidades penais têm pontos a melhorar, mas quanto à ressocialização, vimos que o CRC se destaca, com bons resultados e envolvimento dos reeducandos”.

Ala Arco Íris

R.S. está entre os 22 reeducandos que fazem parte da Ala Arco Íris, voltada à população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Antes de ser transferido para o Centro de Ressocialização, há cerca de três anos, ele esteve na unidade de Nova Mutum. Aos 47 anos de idade, o reeducando destaca que o acolhimento diferenciado é fundamental diante do preconceito que existe entre a maioria dos recuperandos.

“No interior, só tinha eu de homossexual, era muito ruim, aqui me sinto mais protegido. Eu sempre atuei como cabeleireiro e também serviços de salão de beleza, então voltei a fazer isso, além de outros trabalhos internos. É uma ocupação para a mente e uma forma de resgatar a prática que eu já tinha”, explica ele, que aguarda apenas autorização judicial para começar a trabalhar extramuros.